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terça-feira, janeiro 13, 2009

Flores - Titãs

Buenas, chicos!

Estou sentindo cansaço em meu corpo físico, devido ao treino de ontem. Meus olhos pesam, ressecados, porque estou morrendo (metaforicamente) de sono e forçando a visão em frente a um tela de LCD.

São 00h21, exatamente. Tenho que acordar daqui à cinco horas e trinta e nove minutos (em tese).
Entretanto, uma cena muito peculiar me fez ficar acordado até agora (bem como algumas pendências do Conselho a resolver e uma grande amiga, a Marli, que tive o prazer de rever online quando liguei o computador e automaticamente meu MSN se conectou e eu a vi, e não me contive a não conversar com essa querida loira. Esta postagem dedico à ela!) .

Não queria postar uma mensagem como esta no início de 2009. Mas a gente não tem controle sobre determinadas coisas que acontecem... Acompanhe essa postagem até o fim, e depois comente se as coisas são ou não são incríveis!


Tudo começou na Linha Azul do Metrô, quando eu me dirigia até a Saúde para vir para meu lar, The Prancing Pony, aqui em São Bernardo do Campo.

Sentada no banco a minha frente, porém do outro lado do corredor, uma moça de rosto belo, contudo com olhar caído, triste e divagador. Em seu colo, um vaso de flores em um arranjo de caixa marrom e papel como celofane dourado. As flores eram cor-de-rosas, todas elas muito juntinhas uma às outras.

Eu, no começo, estava perdido no olhar triste da moça, até notar as flores.
Depois, passei a vê-las com a lateral do meu campo de visão, sem tirar a atenção da cena ampla, e sentir como era contraditória. Uma bela moça, com um belo arranjo de flores em seu colo, e um olhar caído, triste e divagador. Eu passei a divagar naquela cena.

Quando, passado alguns segundos, ou toda uma eternidade efêmera, notei realmente as flores. Cor-de-rosas. Tinham um tom que combinavam com a blusa daquela moça, mas não me atentei ao que ela vestia. Passava agora a observar as flores. Não sabia, e ainda não sei, de que tipo que eram. Mas eram bonitas. E passei a imaginar como que aquela moça não se alegrava a ter consigo belas flores e poder sentir o aroma que elas possivelmente exalavam, ou pelo menos o frescor de vida que emitiam.

Nesse momento, quase a chegar no fim da minha viagem de metrô, entendi o que era contraditório, na verdade. A vida, naquele momento melancólico que senti naquela moça, e a falsidade do vaso de flores em seu colo. Observei melhor as folhas daquele vaso. Eram grandes. De um verde muito vivo. Vivo até demais.

Eram flores de plástico.


Flores - Titãs
Composição: Tony Bellotto, Sérgio Britto, Charles Gavin e Paulo Miklos

Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem

Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem


Saí da composição do metrô, perplexo. Tanto por não ter cruzado meu olhar com aquela moça, que divagava longe, e ter o peso de saber que se eu tivesse lhe sorrido sua vida poderia ter melhorado, quanto, e mais, ainda mais por isso, ter sido enganado por um arranjo de flores de plástico.

Que vida é essa que vivemos?! Onde preferimos as flores que não morrem a crescer com a experiência que a vida nos dá?

Como fui deixar meus olhos serem enganados por uma falsa magia eterna de um vaso de flores de plástico?

Quem sabe se aquela moça tivesse em seu colo flores de verdade, ela não estivesse mais feliz...

Quem sabe se estivéssemos mais conscientes de que essa vida, e todas elas, terminam no vazio, que é o tudo-nada, não aproveitássemos mais a verdade do mundo, do interior de cada um de nós, e então seríamos mais felizes, mesmo sabendo que tudo é vazio e que estar feliz é estar ausente e saber que tudo é vazio.

Quem sabe não nos compadeceríamos verdadeiramente pelos irmãos que sofrem em Gaza, na África, e ao redor de todo o mundo, e não ficaríamos mais assistindo a tudo confortavelmente, sentados em frente a uma televisão, assistindo e cada vez mais sendo mergulhados no simulacro que o Big Brother invisível nos impele.

Marli, e demais marlis e homens-marli que isto leem. Estar down. Estar. É um estado. Nada se é. Não somos nada. No mais, estamos algo.

E podemos mudar esse estado. Basta agir (aplicar energias com base em um querer).


Agora são 00h48. Estou tranquilo, agora.
E quero flores, de verdade, que não trazem engano, mas sim a verdade, em todos os campos....

domingo, dezembro 21, 2008

Então É Natal - Simone

Ah, chegamos a mais uma comemoração maravilhosa da parte ocidental do mundo! O Natal, uma das épocas mais belas e hipócritas do ano...

Ai, ai...
Que coisa linda!
É tudo tão mágico nessa época... Acompanhe!

A Rua Normandia no suprasumo do simulacro paulista burguês, no meio de Moema, com neve artifical caindo "do céu" e encantando e hipnotizando crianças inocentes, bem como adultos alienados.

Casas com papais noéis de plástico em chaminés também de plástico (tirando no Sul do Brasil, e um ou outro lugar muito muito frio, quem em sã consciência põe uma lareira em casa??? Quando não tem, vai de plástico, mesmo... Só quem quer aparecer, usa terno e gravata sob 40°C e vive sob o modelo europeu de mundo, pra fazer uma dessas, uauhauh).

Pessoas exalando pseudo-felicidade e exercendo pseudo-compaixão, doando meia dúzia de cestas básicas pra algum asilo ou abrigo qualquer (sem pensar nos outros seis meses, e em roupas, remédios, carinho, atenção e amor, etc).

Gente correndo que nem louca por shoppings center, gastando o décimo terceiro que mal entrou, comprando roupa nova em 19 vezes sem juros pra manter o status de chique, outras disputando a tapa o pedaço mais carnudo do bacalhau, ou do pernil, sem nem ao menos pensar na vida animal que foi gerada, criada, crescida e depois brutalmente assassinada só para o deleite de "confraternização e amor" natalinos.

Na ceia de natal, muito animal morto, cereais e nozes levemente calóricas (isso foi uma ironia, em conta que em pleno verão deveríamos comer coisas leves, como saladas e frutinhas refrescantes, e não coisas de alimentação de INVERNO). Pessoas da família que se odeiam relevando tudo até o dia 1º de janeiro só porque tirou o infeliz o amigo secreto....

Ah, a ceia me fez lembrar em inverno, e falando em nisso (sem falar nos que passam o Natal debaixo da ponte), o Natal, ainda enquanto comemorado como evento religioso, certinho, bonitinho como deveria ser, cristão (há muitas eras atrás, não acha?), tem base pagã?

Hahá, peguei você! Isso mesmo. A época sempre foi propícia para vinda de "messias" em religiões pré-cristãs, e Midras ilustra isso, por exemplo. Mais uma coisinha que a sagrada (outra ironia) igreja católica apostólica romana chupinhou por aí... Nota 10!

Ah, e estamos entrando hoje no VERÃO!!!! Essas coisas, pouca gente lembra... E coloca o primo velho e gordo todo encapuzado pra enganar as crianças... huauhahu... Papai Noel viria pro Brasil de bermudão, e pegando logo água de côco, minha gente!

Enfim, eu poderia falar muita, mas muita coisa sobre o evento banal no qual o Natal foi transformado nessa sociedade de consumo. Mas, sabe, eu preciso correr pro shopping, agora, antes que acabem os estoques. HUAuhauhauhaAUHAUHUHA.

Deixo a você, como presente, uma musik do John Lennon. Mas que todo mundo acha que é da Simone. Não, não é. Ela é pior que a musiquinha da Globo, ficou pra lá de banalizada e todo mundo canta sorrindo de orelha a orelha (isso me lembra A Ópera do Malando, do Chico Buarque, mas fica pra outro post).

Porém, se nos dermos ao luxo de prestar atenção na letra (hoje é difícil quem pensa), uhm, ela permeia a falsidade do Natal. Mesmo errando ao dizer "a festa cristã" e sendo utopista que a paz chega igual a todos, mostra onde a máscara é frouxa e pode cair. Deveria cair de todos. Entrentanto, a maioria é persiste e não desiste nunca...

Então É Natal - Simone
Composição: John Lennon e Yoko Ono
Versão: Claudio Rabello

Então é Natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez.
Então é Natal, a festa Cristã.
Do velho e do novo, do amor como um todo.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem souber o que é o bem.

Então é Natal, pro enfermo e pro são.
Pro rico e pro pobre, num só coração.
Então bom Natal, pro branco e pro negro.
Amarelo e vermelho, pra paz afinal.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem souber o que é o bem.

Então é Natal, o que a gente fez?
O ano termina, e começa outra vez.
E Então é Natal, a festa Cristã.
Do velho e do novo, o amor como um todo.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem souber o que é o bem.

Harehama, Há quem ama.
Harehama, ha...
Então é Natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez.
Hiroshima, Nagasaki, Mururoa...

É Natal, É Natal, É Natal.


O que você fez?
O ano acaba, e no próximo ano? Não mais Hiroshima... Quem sabe continuamos com Bagdá, Palestina...

Rico e pobre com um só coração? Um só coração só novela do plim plim!


O melhor dessa musik, pra mim, é "
que seja feliz quem souber o que é o bem". E aos outros? Ah, esses não pensam, e bem, vão continuar com suas vidas artificiais... =ppp

Inté!


P.S.: ando super zen, mas o Natal hoje em dia é irritante...